
Harry Potter
e o Cálice de Fogo
Entrevista exclusiva
com Daniel Radcliff
É um sensação
estranha poder ver a crescer um actor. Conheci Daniel Radcliff ainda
antes da estreia do primeiro filme da saga e Harry Potter. Um miúdo
frágil, educado e com algum receio do que poderia ou não dizer aos
jornalistas. Com este novo filme, fui mais uma vez a Londres para a já
habitual conversa. Ao entrar na suite de hotel adaptada a estúdio de TV,
encontrei um miúdo crescido com sinais de já ter experimentado a máquina
de barbear e com a voz a experimentar um tom mais grave.
A coincidir com a estreia em Portugal de “Harry Potter e o Cálice de
Fogo”, a entrevista na íntegra com o actor, em vídeo (na coluna à
direita) e texto. Um exclusivo SIC Online.
O Harry Potter está a crescer e já não tem medo de dizer
seja o que for aos jornalistas. Da primeira vez a mãe estava por perto,
agora já tinha uma relações públicas para os contactos com a imprensa ou
não fosse ele o actor juvenil mais bem pago do cinema actual. Pelo que
disse nesta conversas e depois da câmara ter desligado, vai ficar até
acabar o sétimo ano da escola de mágicos, que é como quem diz até ao
sétimo filme.
Espero continuar com fôlego para lhe fazer as entrevistas.

Mário Augusto: Mike
Newell foi o escolhido para dirigir este novo filme. Como foi trabalhar
com um novo realizador?
Daniel Radcliff: Foi
fantástico. O que o Mike tem de fantástico é que é um autêntico
britânico. Usa sempre coletes e laços, o que já é raro ver. Ele trouxe
um sentido de… Logo desde o princípio, tinha uma visão concreta do tipo
de filme que queria fazer, o derradeiro thriller. Reiterou isso durante
o filme. E foi isso que ele fez. Acho que fez um thriller fantástico.
O que acha do lado negro do filme? Neste caso muito mais sombrio…
Acho formidável. Acho que as pessoas teriam ficado desapontadas e
aborrecidas connosco, se nos afastássemos dessa sombriedade. Se não
existisse essa sombriedade teriam ficado zangadas, porque, no livro, é
muito sombrio. Acho que a sombriedade no filme funciona muito bem, acho
que é muito assustador.
Já não é um filme para crianças muito novas.
Depende. Acho que há crianças de 10 anos para quem seria de mais, se
forem muito sensíveis, mas nas crianças de 5 anos que aguentam, se forem
resistentes. Varia de criança para criança.
Qual
foi a melhor e a pior parte ao fazer esta aventura?

A pior parte foi ficar pendurado sobre o telhado, antes de me atirarem
para o chão. A melhor parte foi o que fizemos no fim, com o Ralph
Fiennes e vê-lo interpretar Voldemort. Essa deve ter sido… Todas as
cenas finais, desde o labirinto à cena com Voldemort e quando trazemos
de volta o corpo do Cedric, foram talvez as que mais gostei de filmar.
Foi mais difícil do que os outros?
Sim, muito mais. Os outros filmes… Quando os fazia, achava-os difíceis,
mas depois chegamos a este e este foi muito mais difícil.
Qual é a maior vantagem de se ter tornado numa celebridade?
Não mudou muito a minha vida. Sei que não acreditam nisso…
Mudou um bocado.
Mudou, mas não muito. Saio a rua e isso e não… As pessoas abordam-me.
Mas são sempre simpáticas e elogiam os filmes. Não mudou muito.
Não receia ficar conhecido como o Harry Potter para sempre?
Acho que é formidável ficar associado a isso, mas espero que as pessoas
possam pensar em mim de forma diferente, no futuro. Espero que isso
aconteça.

Há alguma cena ou sequência especial que vá recordar a vida toda,
neste filme?
Acho que a
sequência subaquática foi algo que…
Surpreendeu-o?
A sequência subaquática é sem dúvida algo que nunca vou esquecer, porque
foi bastante trabalhoso mas gostei. Sou bastante preguiçoso e não teria
feito mergulho na vida real. Portanto, foi divertido fazê-lo.
Quanto tempo duraram as filmagens dessa sequência?
Cerca de um mês… Três semanas. Três semanas e meia.
Todos
os dias, na piscina?

Tínhamos folga ao fim-de-semana.
Tem aulas e tem que estudar.
Sim.
Deve ser muito difícil.
É melhor que as aulas normais, porque, quando andava numa escola normal,
não era tão bom aluno, não…
É mais compacto?
É, mas… Quando estou a filmar, as minhas notas sobem muito, enquanto
que, na escola, não são grande coisa. Durante as filmagens, saio-me
muito melhor.
J.K. Rowling começou a escrever mais um livro. O que sabe sobre ele?
Nada.

Nada mesmo?
Nada.
Não tenta mudar a sua personagem?
Não, não peço para a acção se desenrolar em Barbados ou isso. Não faço
ideia como vai ser.
Quantos mais Harry Potters tenciona fazer?
Vou fazer o quinto, de certeza, e, depois disso, logo se vê.
Quando é que começa?
Em
Fevereiro. Sim, o quinto é em Fevereiro. Vai ser muito emocionante. Acho
que vai ser muito bom.
Já leu o livro?
O quinto? Sim. É formidável. Gostei muito. Acho que é… não é o livro
preferido de muita gente. Juntamente com o terceiro, é o meu preferido,
por isso, estou muito ansioso por fazê-lo, porque não tem tanta acção,
centra-se na personagem e eu estou ansioso por isso.
Mário Augusto
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